O Meridiano é um jornal que mostra de onde veio cada informação, o que veio antes e o que veio depois. Este guia explica como ele funciona e o que você pode fazer com ele.
Não há redação. Há um programa que roda sozinho várias vezes ao dia, lê algumas centenas de manchetes, consulta dezenas de órgãos públicos e escreve as matérias.
Cada matéria carrega uma marca dizendo o grau de certeza. É a informação mais importante da página, e ela aparece antes do texto.
| Confirmado | Há documento de órgão público, com o endereço do original no fim da matéria. |
| Atribuído | A informação vem de fonte oficial, mas sem o documento em mãos. |
| Sem confirmação | Circula na imprensa e não encontramos registro. A matéria mostra onde procuramos. |
| Edição da redação | Escrito por uma pessoa, não pelo robô, e não submetido à checagem automática. |
Um jornal comum tem dois estados: publicou ou não publicou. O Meridiano tem um terceiro — está circulando, procuramos, não achamos.
Dentro dessas matérias há um bloco chamado o que procuramos antes de publicar, com a conta exata: quantos órgãos foram consultados, quantas publicações foram lidas, e quais não responderam.
Esse último dado importa por si só. Órgão público que não publica de forma legível é um problema — e o registro fica ali em vez de ser escondido.
Casos que se arrastaram no tempo e ficaram presos a um só capítulo. Uma acusação vira manchete; a absolvição, meses depois, vira nota de rodapé. Quem foi acusado carrega a primeira versão para sempre.
A seção remonta esses casos em ordem, do mais recente ao mais antigo. Cada marco traz a data e declara a origem: o veículo que registrou, o relato de quem viveu, ou a marca de que não há registro localizado.
Essa última marca costuma ser a informação mais reveladora da página — porque cai justamente sobre os capítulos que sumiram dos índices de busca.
Não há análise nem posição do jornal. A cronologia convence sozinha.
Não pedimos e-mail, nome nem telefone. Você inventa um apelido e um PIN de seis dígitos. É uma etiqueta sem dono: você sabe que é você, nós não temos como saber.
Serve para o jornal abrir na sua praça, lembrar o que já foi lido, e funcionar também no celular.
Em qualquer matéria há um botão para isso. Quando aquela história mudar de estado — quando aparecer o documento, quando sair a decisão —, você é avisado ao voltar.
É o desfecho: exatamente o capítulo que costuma sair pequeno e que nenhum feed de rede social mostra, porque desfecho não engaja.
Diferente do caso. Um assunto é um tema que se repete e não termina — “Cuiabá”, “licitação”, “Fifa”. Você escreve, e tudo que sair sobre aquilo aparece na sua página.
Quando o jornal não cobre o assunto, ele mostra as manchetes que circulam em outros veículos, com o link do original — dizendo que não verificou nenhuma.
Toda matéria tem um botão que explica os termos que ela pressupõe. Numa notícia sobre migrantes em Ceuta, ele explica o que é Ceuta — enclave espanhol no norte da África, uma das duas fronteiras terrestres da União Europeia — sem afirmar nada sobre o fato noticiado.
Nunca de veículo comercial. Só de fontes que autorizam reprodução.
Cada fonte tem a licença registrada no sistema, e o robô sabe o que pode reescrever e o que só pode ser republicado sem alteração. Fonte que proíbe adaptação nunca passa pela reescrita.
Um jornal que cobra transparência dos outros precisa dizer o que não faz.
Boa parte das prefeituras e secretarias mantém sites que o robô não consegue ler. Isso limita a cobertura — e é por isso que a lista dos que não responderam aparece dentro das matérias.
A lei suspende a publicidade institucional, e muitos órgãos ficam calados até outubro. O jornal sente.
Ele não liga para ninguém, não visita lugar, não ouve testemunha. Cruza o que a imprensa noticia com o que os órgãos publicam. É menos que jornalismo de campo, e não fingimos o contrário.