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Uma notícia sozinha não conta a história.

O Meridiano é um jornal que mostra de onde veio cada informação, o que veio antes e o que veio depois. Este guia explica como ele funciona e o que você pode fazer com ele.

O método Os selos O que não confirmamos Linha do tempo O que você pode fazer De onde vem o texto Os limites

O método

Não há redação. Há um programa que roda sozinho várias vezes ao dia, lê algumas centenas de manchetes, consulta dezenas de órgãos públicos e escreve as matérias.

1
Lê a imprensa — e não copia uma linha O robô acompanha g1, Folha, UOL, CNN, ANSA e dezenas de veículos regionais. Isso serve só de termômetro: diz do que vale a pena tratar. Nenhum texto deles é usado.
2
Vai atrás de quem registrou o fato Para cada história ele identifica o assunto e deduz qual órgão guardaria o registro. Prisão está na Polícia Civil. Temporal está na Defesa Civil. Propina está no Ministério Público. Obra está no Tribunal de Contas. E vai bater na porta.
3
Escreve a partir do documento Achando o registro oficial, a matéria é escrita a partir dele, com o link do original no fim. O texto é próprio; a fonte é declarada.
4
E quando não acha, publica dizendo isso A história entra marcada como sem confirmação, com a lista de onde procuramos, quantas publicações foram lidas e quais órgãos não responderam.
O que decide se algo é publicado não é o interesse que desperta. É existir ou não um documento por trás.

Os selos

Cada matéria carrega uma marca dizendo o grau de certeza. É a informação mais importante da página, e ela aparece antes do texto.

ConfirmadoHá documento de órgão público, com o endereço do original no fim da matéria.
AtribuídoA informação vem de fonte oficial, mas sem o documento em mãos.
Sem confirmaçãoCircula na imprensa e não encontramos registro. A matéria mostra onde procuramos.
Edição da redaçãoEscrito por uma pessoa, não pelo robô, e não submetido à checagem automática.

Por que existe notícia dizendo que não confirmamos

Um jornal comum tem dois estados: publicou ou não publicou. O Meridiano tem um terceiro — está circulando, procuramos, não achamos.

Dentro dessas matérias há um bloco chamado o que procuramos antes de publicar, com a conta exata: quantos órgãos foram consultados, quantas publicações foram lidas, e quais não responderam.

Esse último dado importa por si só. Órgão público que não publica de forma legível é um problema — e o registro fica ali em vez de ser escondido.

Linha do tempo

Casos que se arrastaram no tempo e ficaram presos a um só capítulo. Uma acusação vira manchete; a absolvição, meses depois, vira nota de rodapé. Quem foi acusado carrega a primeira versão para sempre.

A seção remonta esses casos em ordem, do mais recente ao mais antigo. Cada marco traz a data e declara a origem: o veículo que registrou, o relato de quem viveu, ou a marca de que não há registro localizado.

Essa última marca costuma ser a informação mais reveladora da página — porque cai justamente sobre os capítulos que sumiram dos índices de busca.

Não há análise nem posição do jornal. A cronologia convence sozinha.

O que você pode fazer

Ler sem se identificar

Não pedimos e-mail, nome nem telefone. Você inventa um apelido e um PIN de seis dígitos. É uma etiqueta sem dono: você sabe que é você, nós não temos como saber.

Serve para o jornal abrir na sua praça, lembrar o que já foi lido, e funcionar também no celular.

Acompanhar um caso

Em qualquer matéria há um botão para isso. Quando aquela história mudar de estado — quando aparecer o documento, quando sair a decisão —, você é avisado ao voltar.

É o desfecho: exatamente o capítulo que costuma sair pequeno e que nenhum feed de rede social mostra, porque desfecho não engaja.

Acompanhar um assunto

Diferente do caso. Um assunto é um tema que se repete e não termina — “Cuiabá”, “licitação”, “Fifa”. Você escreve, e tudo que sair sobre aquilo aparece na sua página.

Quando o jornal não cobre o assunto, ele mostra as manchetes que circulam em outros veículos, com o link do original — dizendo que não verificou nenhuma.

Entender o contexto

Toda matéria tem um botão que explica os termos que ela pressupõe. Numa notícia sobre migrantes em Ceuta, ele explica o que é Ceuta — enclave espanhol no norte da África, uma das duas fronteiras terrestres da União Europeia — sem afirmar nada sobre o fato noticiado.

De onde vem o texto

Nunca de veículo comercial. Só de fontes que autorizam reprodução.

o texto pode vir daqui
  • Agência Brasil, Câmara, Senado
  • ONU News, Vatican News
  • Comissão Europeia e agências da ONU
  • Assessorias de órgãos públicos
  • Jornalismo em licença aberta
  • Dados públicos, como o Banco Central
daqui só a manchete
  • g1, Folha, UOL, Estadão
  • CNN, Veja, ANSA
  • Qualquer veículo comercial

Cada fonte tem a licença registrada no sistema, e o robô sabe o que pode reescrever e o que só pode ser republicado sem alteração. Fonte que proíbe adaptação nunca passa pela reescrita.

Os limites

Um jornal que cobra transparência dos outros precisa dizer o que não faz.

nem todo órgão responde

Boa parte das prefeituras e secretarias mantém sites que o robô não consegue ler. Isso limita a cobertura — e é por isso que a lista dos que não responderam aparece dentro das matérias.

o período eleitoral silencia fontes

A lei suspende a publicidade institucional, e muitos órgãos ficam calados até outubro. O jornal sente.

o robô não apura por conta própria

Ele não liga para ninguém, não visita lugar, não ouve testemunha. Cruza o que a imprensa noticia com o que os órgãos publicam. É menos que jornalismo de campo, e não fingimos o contrário.

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